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As 4 principais metodologias e ferramentas para a gestão de mudanças organizacionais (GMO)

Atualizado: 7 de fev.

As metodologias e ferramentas da gestão de mudanças organizacionais são tão importantes para as mudanças quanto os guias de gestão de projetos são para os projetos.


Neste artigo irei abordar as quatro principais metodologias e ferramentas utilizadas no mundo, aproveitarei para escrever minhas percepções sobre as práticas que tive com cada uma delas e sobre as certificações.


Metodologia da Prosci


A Metodologia Prosci é uma das abordagens mais amplamente utilizadas para a Gestão de Mudanças no mundo e continua a evoluir. Possui como "carro chefe" o ADKAR Model um modelo que viabiliza o conceito de GMO Analytics (caso queira saber mais sobre o conceito visite o artigo - GMO baseada em dados).


Embora a Metodologia Prosci englobe uma variedade de modelos, ferramentas, avaliações, processos, etc., hoje é composta por três componentes principais que estão descritos abaixo e representados pela Figura 1:


  • Prosci PCT™ Model – uma estrutura simples, mas poderosa para estabelecer e conectar os aspectos mais importantes de qualquer esforço de mudança bem-sucedido.

  • Prosci ADKAR® Model – um modelo altamente eficaz para orientar as pessoas através das experiências – ou elementos – necessárias para fazer a mudança.

  • Prosci 3-Phase Process® – uma metodologia estruturada e flexível para impulsionar a mudança no nível organizacional.

Figura que representa a metodologia da Prosci - Exemplificada pelo Fernando Veroneze e pela Mayara Abreu Dias
Figura 1 - Overview design da metodologia da Prosci

Considero esta metodologia de nível intermediário, a única organização do Brasil que certifica pessoas nesta metodologia não destaca a importância de experiência prévia em projetos e mínima na área de gestão de mudanças, mas na minha opinião, o profissional precisa ter experiência e conhecimentos básicos em projetos e mudanças para obter o máximo de aproveitamento.


Um exemplo de resultado gerado pelo modelo ADKAR está representado na Figura 2.

Representação do resultado de um projeto conduzido pela experiente consultoria SMR - Projeto liderado pelo Fernando Veroneze e pela Mayara Abreu Dias
Figura 2 - Representação gráfica do resultado da avaliação do ADKAR

Vantagem

Das metodologias apresentadas aqui neste artigo, está é a que considero a mais prática. Para cada uma das etapas do processo de change da Prosci, existem templates e ferramentas que auxiliam o processo de ponta a ponta. Em contrapartida é a que também possui mais desvantagens.


Desvantagem

Considero quatro desvantagens:

  1. Preço da certificação, pode ser considerada de alto custo, aproximadamente R$ 9.000,00.

  2. Considero como ponto frágil da metodologia a etapa "R" reinforcement (reforço da mudança) no modelo ADKAR, a metodologia dispõe de poucas ferramentas para a sustentação da mudança. E o preço da certificação é bem salgado quando comparado com seus concorrentes.

  3. Devido a Prosci ter o modelo ADKAR como registrado, eles informam que nenhuma outra instituição pode ensinar o modelo, indo na contramão da ideia de que o conhecimento deve ser compartilhado, bem diferente do que é praticado pelo PMI.

  4. A falta de uma visão mais clara de como encaixar o modelo ADKAR nos projetos, por exemplo, como encaixar o modelo ADKAR em um projeto técnico.


PCI – People-Centred Implementation da Changefirst


A PCI® é uma metodologia da Changefirst estruturada por seis Fatores Críticos de Sucesso que estão representados na Figura 2 e tem como características:

  • Foco em pessoas

  • Incentivo ao cascateamento no processo, de forma a atender tanto os requisitos organizacionais como as necessidades locais

  • Mensuração do processo e foco em dimensões de risco

  • Integração às metodologias de Gestão de Projetos

  • Suporte de plataforma digital para a construção de planos de ação integrados a resultados de avaliações, permitindo a análise de dados críticos em tempo real para a melhor tomada de decisão.

A representação dos fatores críticos de sucesso da Changefirst, o PCI - Exemplificado pelo Fernando Veroneze e a Mayara Abreu Dias
Figura 3 - Representação da abordagem PCI

Os três fatores de sucesso que estão na parte de cima são focados na organização, na liderança e na equipe do projeto. A ideia é dar as pessoas clareza e segurança, e alguns planos específicos que irão ajudá-los a engajar seus esforços durante a mudança. Se este esforço for bem executado irá fornecer a organização a construção da aceitação para a mudança.


Os três outros fatores de sucesso que estão posicionados no local, estes são focados nos gestores, porque na área local destes gestores, eles têm o controle e podem reforçar com os seus colaboradores, eles podem modelar o novo comportamento, provendo suporte prático.


Vantagem

A metodologia é completa e praticada em todo o mundo. Possui um painel completo, chamado Roadmap Pro que pode ser adquirido como serviço, este portal possibilita que o profissional trabalhe com a GMO Analytics.


Desvantagem

Caso o profissional não opte pela assinatura do Roadmap Pro da Changefirst, metodologia perde potencial, podendo atender apenas parcialmente as necessidades dos projetos de transformação. O investimento para a certificação pode ser considerada alto, aproximadamente R$ 8.800,00 com acesso por 12 meses ao Roadmap Pro, após o período terá que pagar uma assinatura de R$ 5.796,00 por ano.


Modelo de influência da Mckinsey


O modelo de influência da McKinsey é baseado em quatro blocos de construção para a gestão de mudanças:

  • Promover a compreensão e a convicção

  • Reforçando as mudanças por meio de mecanismos formais

  • Desenvolvimento de talentos e habilidades

  • Modelagem de papel

Modelo de influência da Mckinsey representado por comportamentos e mindset - Exemplificado pelo Fernando Veroneze e a Mayara Abreu Dias
Figura 4 - Modelo de influência da Mckinsey

O modelo de influência, o modelo de gerenciamento de mudanças da McKinsey, é um em uma longa lista de estruturas potenciais que podem ser utilizadas durante uma entrevista de caso . Claro, também é relevante se você for um jovem profissional que está passando por mudanças em grande escala em seu empregador.


Ou, se você for um profissional experiente encarregado de projetar ou liderar uma transformação corporativa. O modelo de influência é uma estrutura de gerenciamento de mudança que você pode usar para navegar pelas mudanças nas pessoas, processos e foco quando uma organização deve começar a operar de maneira muito diferente do que no passado.


A ideia é que esses quatro tipos de ações, que se reforçam mutuamente, mudarão a mentalidade dos funcionários e influenciarão positivamente o comportamento quando tomadas em conjunto de forma consistente. Esses são os blocos de construção do Modelo de Influência. Esse é um dos motivos pelos quais também é chamado de Modelo de Influência para Mudança.


Vantagem

A aplicabilidade flexível e os casos de sucesso de aplicação da metodologia em empresas de todo o mundo.


Desvantagem

Não é possível acessar a metodologia completa, templates e o kit para implementação.


HCMBOK – o guia Brasileiro para a gestão de mudanças organizacionais


O HCMBOK é base de conhecimento do HUCMI – Human Change Management Institute, composto de metodologia, ferramentas e boas práticas, que tem como objetivo conectar as atividades de Gestão de Mudanças Organizacionais com as etapas e atividades típicas de gestão de um projeto de qualquer natureza.


Sua estrutura é composta de 38 macro-atividades e 142 atividades, desenvolvidas desde a etapa de planejamento até o pós-projeto, também conhecido como “produção”, quando o projeto propriamente dito já terminou, mas a mudança precisa ser sustentada até que esteja consolidada na cultura organizacional.

A estrutura de processos do HCMBOK - Exemplificado pelo Fernando Veroneze e pela Mayara Abreu Dias
Figura 5 - Estrutura do HCMBOK

O HCMBOK consiste em uma publicação do HUCMI que diz reunir boas práticas em gestão da mudança organizacional. Os autores ressaltam que a visão desta metodologia se aprofunda para além do conceito clássico de gestão de mudanças: “levar uma pessoa ou uma organização do estado atual para outro desejado”.


O objetivo, a partir do HCMBOK, é “planejar, aplicar, medir e monitorar ações de gestão do fator humano em um projeto de mudanças para ampliar as chances de resultados”. Ainda de acordo com os autores, este último não representaria um conflito com a definição clássica, uma vez que os consideram convergentes quando se admite que alcançar resultados esperados, é levar uma organização para seu estado futuro desejado através da gestão das mudanças humanas.


A metodologia do HCMBOK é apresentada similarmente aos modelos tradicionais de gerenciamento de projetos, no formato “waterfall”, ou “modelo cascata”, em uma estrutura sequencial de fases. Entretanto, o uso da metodologia em casos práticos não exige que as atividades especificadas em cada fase sejam realizadas exatamente como se propõe o modelo teórico. A adaptação para o uso da metodologia depende do tipo de projeto a que será aplicada.


Vantagem

A certificação é de baixo custo quando comparado com a da Changefirst ou da Prosci, é bem estruturada e se alinha muito bem a abordagem tradicional (waterfall) da gestão de projetos e parece ter avançado bastante em qualidade após a criação do HCMBOK TOOLS.


Não existe pré-requisito mínimo para realizar a certificação, pode ser considerada uma certificação de entrada na área de gestão de mudanças organizacionais. É uma metodologia fundada por um brasileiro muito competente que não mede esforços para mantê-la e melhorá-la, o Vicente Gonçalves também é fundador do HUCMI, instituição que mantem a metodologia.


Desvantagem

A plataforma HCMBOK® TOOLS (custo R$2.149/ano) e HCMBOK® TOOLS PLUS (R$5.389/ano) para acessar as ferramentas possui um custo mensal de assinatura, com desconto de 10% para pagamento anual, disponibiliza por um ano para quem faz o curso e depois 50% de desconto no valor total para manter a assinatura.


Conclusão

Todas as metodologias e ferramentas são mais eficazes que o Go Horse da gestão de mudanças organizacionais, fazer a GMO com base na intuição e ir fazendo conforme as necessidades vão aparecendo é o menos indicado, este tipo de atitude ou condução de ação é o que desvaloriza as ações da GMO.


Eleve os resultados da sua organização, conheça a consultoria mais especializada em gestão (GMO, processo e projetos) do país, a consultoria SMR.

Mais importante que escolher a metodologia é definir quais são os entregáveis que a GMO irá entregar em uma iniciativa ou projeto, assim como os projetos técnicos são medidos pelas entrega, a GMO também é. Então avalie as vantagens e desvantagens de cada uma das metodologias e vá em frente. Qualquer dúvida estarei à disposição para ajudá-la(o).


Sobre o autor:

Fernando Veroneze é professor, escritor da editora gen Atlas e sócio diretor da SMR, especialista em gestão de projetos, processos e mudanças organizacionais, possui mais de 14 anos de experiência, incluindo projetos significativos em empresas como COPEL, Instituto Butantan, CNPEM, SESC, Marítima Seguros e etc. Autor do best-seller "Gestão de Projetos", também é um educador em instituições como FIA, Mackenzie e Politécnica da USP, com mestrado em Administração e extensão na Universidade da California - Berkeley. Sua missão é impulsionar transformações organizacionais e formar líderes empresariais para o futuro.


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