4 pilares para aumentar as chances de sucesso da gestão de mudanças
- Fernando Veroneze
- 20 de ago. de 2021
- 6 min de leitura
Atualizado: 20 de jan. de 2024
Você assumiu algum projeto de transformação e estÔ preocupado? Ou estÔ no meio do projeto e as coisas não vão tão bem quanto imaginava? Ou ainda, você jÔ entregou o projeto e a gestão de mudanças não foi bem?
Não se sinta tão culpado, 70% dos projetos de transformação / gestão de mudanças fracassam, fique aqui e vou te falar sobre os 4 pilares que vão te ajudar a aumentarar as chances de sucesso da gestão de mudanças organizacionais.
Não sabe sobre a importância da gestão de mudanças? Entenda com este artigo: Gestão de mudanças, pra que te quero? Estes 4 pilares são baseados em padrões que foram observados em dezenas de organizações que tiveram sucesso em projetos de transformação, falaremos sobre isso neste artigo.
Sabemos que a maioria dos programas de transformação fracassam, podemos considerar a probabilidade de 70% das iniciativas, ou seja, 7 em 10.
Em 1996, o conhecido John Kotter publicou o livro Conduzindo a mudança (Leading Change), este livro foi considerado um trabalho seminal no campo da gestão de mudanças organizacionais. A pesquisa de Kotter revelou que apenas 30% dos programas de mudança eram bem-sucedidos.
O fato curioso é que segundo as últimas pesquisas (2019) da McKinsey e da consultoria SMR, mesmo depois de 25 anos este percentual não sofreu mudanças.
As pesquisas apontaram que apenas uma em três iniciativas de transformação é bem-sucedida. Mas o que podemos fazer para ficar dentro deste seleto grupo que obtém sucesso nas iniciativas? Como ser parte dos 30%?
SĆ£o muitos os caminhos que podem ser recomendados, por exemplo, (1) o modelo proposto pela metodologia da Prosci, o ADKAR model, (2) o modelo de influĆŖncia da McKinsey, (3) o beyond performance 2.0 de Scott e Bill Schaninger ou atĆ© mesmo (4) as quatro condiƧƵes bĆ”sicas que estĆ£o presentes na āA psicologia da gestĆ£o da mudanƧaā de Emily Lawson e Colin Price.
Gestão de mudanças não é só filosofia, também é gestão e resultados.
PoderĆamos atĆ© seguir o modelo hĆbrido/combinado de metodologias e prĆ”ticas para a gestĆ£o de mudanƧas organizacionais para conduzir as iniciativas de gestĆ£o, como tem acontecido na Ć”rea de gestĆ£o de projetos.
Em nossas pesquisas identificamos que as empresas que estavam dentro dos 30%, utilizaram conceitos e valores que são praticados por todos os modelos comentados acima, são eles:

Vou descrever com mais detalhes cada um deles.
1 - Desenvolvimento da consciência, uma história convincente
Falar sobre as mudanças que vão acontecer por vezes não é o suficiente para desenvolver nos colaboradores a consciência de que a mudança é importante.
A construção de uma narrativa que contextualiza os principais motivos da mudança e a visão do estado futuro da organização, são importantes, mas o principal é o que esta mudança irÔ implicar na vida dos colaboradores.
"Você precisa contar os porquês da mudança, mas o quanto mais superficial você for, mas superficial serÔ a consciência das pessoas." Fernando Veroneze
Atenção, a narrativa precisa ser adaptada para todos os nĆveis da organização, este serĆ” o caminho para o desenvolvimento da consciĆŖncia coletiva.
Esta história deve ser contada pelos lĆderes da organização, o principal lĆder Ć frente da mudanƧa comeƧa a narrativa e expƵe para toda a organização.
Os lĆderes diretamente abaixo precisam ouvir a narrativa e adaptĆ”-la para os seus liderados, comunicando-os com frequĆŖncia. Devemos nos lembrar da regra que Ć© descrita no livro de Jeffrey e Creasey (Change Management) e adaptada por mim.
āUm lĆder pode gastar 95% do tempo falando a respeito da organização e 5% das implicaƧƵes das mudanƧas/acontecimentos para o liderado. Em casa e no cafĆ© da empresa, acontece o inverso, o liderado gasta 95% do tempo supondo o que as mudanƧas/acontecimentos da organização implicarĆ£o na sua própria vida.ā
Este tipo de atitude aumenta a probabilidade de suposições sobre o futuro do colaborador, agora imagine as suposições dele + as suposições dos colegas de trabalho em um café. Onde você acha que começam as teorias da conspiração?
Ele pode estar interessado no que vai acontecer na organização, mas provavelmente estarÔ mais interessado em saber sobre as implicações que a mudança pode fazer na vida dele.
Por este motivo que narrativa deve ser adaptada pelos lĆderes, lembrando-se sempre que deve estar relacionada com as implicaƧƵes positivas que a mudanƧa irĆ” trazer para a vida de seus colaboradores, e de maneira secundĆ”ria, para a organização.
Pessoas individualmente impactadas pela narrativa, impactarão coletivamente a organização.
2 - Participação intensa da lideranƧa e o forte espĆrito de patrocĆnio
Imagine a cena. VocĆŖ apresenta uma iniciativa de mudanƧa aos membros de sua equipe, mas antes mesmo de terminar a apresentação, eles jĆ” comeƧam a dizer que pode ser uma boa ideia em outro lugar ā mas nĆ£o aqui.
Podemos dizer que este tipo de pessoa Ć© um PCT (Praticamente Contra Tudo) e este tipo Ć© encontrado em todos os lugares.
Este é um dos motivos pelo qual a liderança precisa ter uma participação intensa nas iniciativas de mudança, para que antes mesmo de iniciar uma apresentação identifique pessoas que podem ser resistentes as mudanças e inicie atividades que promovam a força de coalizão.
ForƧa de coalizĆ£o: atĆ© parece uma ação polĆtica nĆ©? E existe relação, o significado de coalizĆ£o Ć©: contrato de cooperação para o atingimento de um objetivo em comum.
Os lĆderes da organização precisam participar do programa de transformação de forma visĆvel e ativa, este Ć© o espĆrito de patrocĆnio da mudanƧa.
Comportamento como aquele em que o lĆder aparece no inĆcio do programa para apresentĆ”-lo e após este aparecimento, desaparece, Ć© fortemente desaconselhado. O espĆrito de patrocĆnio da mudanƧa precisa ser entendido pelos lĆderes, como a competĆŖncia carro-chefe do programa de transformação.
3 - EstabeleƧa uma governanƧa/estrutura forte
Os programas de mudanƧa com estruturas de governanƧa que identificam com clareza as funƧƵes e responsabilidades tĆŖm 6,4 vezes mais chances de sucesso. A maioria dos programas bem-sucedidos inclui pelo menos quatro estruturas: um comitĆŖ de direção executivo (CDE), um escritório de gerenciamento de mudanƧas (Change Management Office ā CMO), patrocinadores executivos (PEs) e proprietĆ”rios das iniciativas (PIs) e suas equipes.

Dentro destas estruturas temos:
O comitĆŖ de direção executivo inclui o lĆder mais sĆŖnior e uma equipe executiva sĆŖnior. Este comitĆŖ deve direcionar o programa de mudanƧa, tomar decisƵes crĆticas, aprovar mudanƧas nos planos de execução, realocar recursos, resolver problemas e conflitos.
O escritório de gestão de mudanças coordena o programa geral, acompanhando o progresso, resolvendo problemas e facilitando interações transparentes e eficazes entre o comitê de direção executivo e as iniciativas.
O papel do escritório (CMO) não é liderar, a ideia é a coordenação e o compartilhamento das melhores prÔticas da gestão de mudanças organizacionais.
Os patrocinadores executivos fornecem orientação, ajudam a resolver problemas, validam as mudanƧas e os impactos no negócio, focam em iniciativas especĆficas, enquanto o comitĆŖ de direção executivo foca no portfólio completo do programa de mudanƧa.
Os proprietÔrios das iniciativas, são aqueles que estão à frente no processo de mudança, participando ativamente da execução dos planos.
4 - Empatia e conexão
Sabemos que a liderança pode fazer a diferença na jornada da transformação com a prÔtica da empatia.
LĆderes conseguirĆ£o criar narrativas que se conectem com os seus liderados quando tiver em sua base a empatia, descrita na Ć”rea da neuropsicologia e da etologia humana, como a tomada de perspectiva.
O espĆrito de patrocĆnio da mudanƧa, que Ć© o fato de estar presente de maneira visĆvel e ativa, serĆ” mais eficiente se praticada com empatia e escuta ativa, e de nada irĆ” valer uma estrutura de governanƧa forte, se as pessoas que fizerem parte da estrutura nĆ£o estiverem conectas com os colaboradores impactados pelas mudanƧas.
As iniciativas de transformação podem ter poucas chances de atingir o sucesso, mas para fazer parte do seleto grupo dos 30% os lĆderes precisam se conectar com as pessoas, porque no fim Ć© a conexĆ£o que transforma.
ReferĆŖncias:
GestĆ£o de mudanƧas na prĆ”tica com o ADKAR Model ā https://www.veroneze.org/post/gestao-de-mudancas-na-pratica-com-adkar-model
AlƩm do Desempenho 2.0: Uma Abordagem Comprovada para Liderar MudanƧas em Grande Escala (John Wiley & Sons, 2019)
A psicologia da gestĆ£o de mudanƧas ā https://www.mckinsey.com/business-functions/organization/our-insights/the-psychology-of-change-management
O lado irracional da mudanƧa ā https://www.mckinsey.com/business-functions/organization/our-insights/the-irrational-side-of-change-management
LideranƧa mudanƧas ā John Kotter, 1996
NĆ£o Ć© assim que a gente trabalha aqui ā John Kotter e Holger Rathgeber, 2016
Sobre o autor:
Fernando VeronezeĀ Ć© professor, escritor da editora gen Atlas e sócio diretor da SMR, especialista em gestĆ£o de projetos, processos e mudanƧas organizacionais, possui mais de 14 anos de experiĆŖncia, incluindo projetos significativos em empresas como COPEL, Instituto Butantan, CNPEM, SESC, MarĆtima Seguros e etc. Autor do best-sellerĀ "GestĆ£o de Projetos", tambĆ©m Ć© um educador em instituiƧƵes como FIA, Mackenzie e PolitĆ©cnica da USP, com mestrado em Administração e extensĆ£o na Universidade da California - Berkeley. Sua missĆ£o Ć© impulsionar transformaƧƵes organizacionais e formar lĆderes empresariais para o futuro.
